Crítica | O Telefone Preto empolga com suspense, mas peca no roteiro

Por Diogo Cordeiro e Rayana do Carmo

Com uma fotografia que transporta o telespectador a uma Denver (EUA) dos anos 70, O Telefone Preto não é um filme de terror que se sustenta apenas em um serial killer que rapta crianças e descarta seus corpos em lugares aleatórios.  Neste filme, o suspense se torna palpável a ponto de termos que segurar na cadeira ansiosa para saber os próximos passos do personagem principal que é guiado pelos fantasmas passados de crianças que foram assassinadas no mesmo bunker, onde ele está preso. Quem está esperando um filme com muitos sustos e medo, esse não é o filme para você.

Além de criar uma atmosfera muito bem elaborada, o elenco é um assunto à parte. Se sobressaindo muito bem como um psicopata que – infelizmente, não temos como saber o passado e suas motivações até o estopim de raptar e matar crianças, o ator Ethan Hawke transmite um clima de crueldade e perversidade que por trás de uma máscara consegue passar todo o terror e suspense que o filme e o personagem pedem. Se já é difícil atuar sem grandes caracterizações, imagina interpretar utilizando apenas a voz e os olhos?

Ao contrário dos nossos “heróis”, os irmãos Finney Shaw (Mason Thames) e Gwen (Madeleine McGraw), desde o inicio, o enredo dirigido pelo famoso diretor Scott Derrickson (“A entidade”; “O Exorcismo de Emily Rose”) nos apresenta a uma história onde eles precisam lidar com o bullying na escola e a violência causada pelo seu pai dentro de casa e ao mesmo tempo, o medo de ser a próxima vítima do serial killer. Tudo isso nos faz já ter em mente o lado que vamos “escolher”. O suspense, produzido pela famosa Blumhouse, coloca à frente do telespectador um misto de violências físicas e psicológicas.

Figuras essenciais para o desenrolar da trama, os meninos que já foram mortos nos levam em um quebra-cabeça de peças que foram deixadas e que servem para o nosso herói saber até onde ele pode ir e o que não pode fazer. Aos poucos, o jovem consegue trabalhar em suas fragilidades e se enche de força para tentar sair daquela situação.

E nem só de coisas boas o filme se apresenta. Pequenos detalhes deixaram a desejar, como personagens que não contribuem em nada, narrativas que nos levam a lugar nenhum e um roteiro pouco explorado. Sim, o filme é enxuto e direto, sem firulas, mas tem pontos que deveriam ser mais trabalhados, como esse medo que rondava a cidade de um possível serial killer. Isso passou tão despercebido que as crianças e os pais simplesmente continuam vivendo as vidas deles.

Mas, no final, o filme cumpriu o que prometia. Não vá esperando um filme de terror, mas os “jump scares” cumpre o papel, com alguns sustos e a atmosfera realmente cria uma tensão boa para o telespectador. E como um bônus para os fãs de Stephen King, o criador da história Joe Hill, que é filho do mestre do terror, presta uma verdadeira ode aos filmes mais icônicos da carreira do pai, como várias referencias à “IT a Coisa”, como a aparência do vilão, que aparece nos sonhos da Gwen na famosa pose do palhaço com balões pretos, além dele ser um mágico e finalizando com chave de ouro, a capa amarela e as botas vermelhas da Gwen que são muito parecidas com George, irmão de Bill que também desaparece no filme.

Dificilmente o longa tenha uma continuação, pela forma do seu desfecho. “O Telefone Preto” não prometeu nada e entregou (quase) tudo.

Nota: 8.5/10

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