Artigo: Zika Vírus, uma ameaça silenciosa

 Artigo: Zika Vírus, uma ameaça silenciosa

Uma grande preocupação para a comunidade médica é a volta do vírus da Zika. A última pesquisa da Sesa, Secretaria de Saúde do Ceará, mostrou que houve um aumento de 100% nos casos de gestantes infectadas, comparando os dados de 2020 e 2021. Esses números acenderam um sinal de alerta. Como obstetra, a primeira recomendação quando uma paciente grávida, ou tentante, entra no meu consultório é informá-la sobre a Zika, seus perigos e cuidados que devemos ter, principalmente no período gestacional. É importante ressaltar que, mesmo com o efeito devastador do covid-19, as outras doenças continuam existindo e, nesse caso, atinge uma parcela vulnerável dos brasileiros. Esse vírus é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, também transmissor da dengue e chikungunya.

A Zika é responsável pela malformação do feto, causando prejuízos no desenvolvimento. O vírus, muitas vezes, infecta a mãe, ultrapassa a placenta e dessa forma pode causar microcefalia e outras alterações na parte neurológica. Mas o diagnóstico de infecção não é uma garantia que o bebê vá sofrer danos, nem toda mulher infectada com Zika vai ter um bebê com alterações neurológicas. No consultório, já tive pacientes com esse vírus que não apresentaram nenhuma mudança no bebê, já outras foram afetadas de forma mais severa, não existe uma padrão. Mas é importante buscar sempre prevenir e fazer todos os exames de pré natal nos dias certos.

Para ajudar as gestantes nesse período difícil, existem algumas recomendações que devem ser seguidas. Na sua residência tenha o cuidado de deixar potes de plantas com areia, esvaziar e impedir que outros recipientes acumulem água. Sempre use a maior cobertura de roupas possível, como blusas de mangas compridas e calças, dessa forma você cria uma barreira física entre o mosquito e o seu organismo. Evitar contato com pessoas que estão com suspeita de infecção por Zika Vírus, pois um mosquito pode não ter a doença mas pode se infectar ao ter contato com um enfermo. O uso de repelentes é indispensável para as gestantes. É válido ressaltar que as dicas podem ser seguidas por todos que não querem esse vírus no seu organismo.

Dr. Ricardo Martins – Ginecologista, obstetra e especialista em medicina fetal. ricardom.pintosq@gmail.com

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