Artigo: Um olhar restaurativo para a educação brasileira em tempos de pandemia

 Artigo: Um olhar restaurativo para a educação brasileira em tempos de pandemia

Por Jéssica Araújo – Advogada e sócia-diretora da Elos Conectados.

O cenário atual da educação brasileira em época de pandemia tem demonstrado a necessidade de uma nova visão para alunos, professores, gestores e comunidade escolar. Pois, com o novo modelo de ensino remoto, os desafios se tornaram evidentes, muitos alunos não possuem acesso aos conteúdos por não ter internet ou não se adaptarem ao novo modelo de ensino; professores e gestores tiveram que lhe dá com as escutas de estudantes adoecidos emocionalmente, a carga horária que parecia dobrada e a pressão psicológica da nova realidade, além da desconexão com o aluno e a escola. Outro fator potencializador nesse período é o aumento do número de casos de violações da integridade física, psicológica e sexual de crianças e adolescentes nos seus domicílios.

Desta forma, constata-se a necessidade de um olhar restaurador para a educação, por meio de uma pedagogia baseada em princípios e valores que ajudem os estudantes a ter uma nova postura de vida, com mais afetividade, empatia, escuta, comunicação assertiva, e gerenciamento de emoções. Como também, um olhar restaurador para os profissionais que cuidam assiduamente destes alunos e que precisam ser apoiados em suas questões de saúde.

O espaço escolar é um ambiente de conexão, onde o processo de educar se dá por meio da afetividade, uma palavra que faz a diferença no aprendizado e na vida dos discentes. Diariamente, o aluno, o professor e a comunidade escolar estão propícios aos conflitos, devido as muitas diversidades sociais, culturais e comunitárias, fazendo-se necessária a realização de atividades que gerenciem as emoções e fortaleçam as habilidades socioemocionais, tais como, o autoconhecimento, a escuta e empatia, sendo essenciais as metodologias dialógicas que auxiliem nas transformações das condutas dos indivíduos. Essa pedagogia restauradora pode ser promovida por meio de ações, atividades e abordagens realizadas pela rede de proteção de direitos de crianças e adolescentes e as instituições de ensino.

Pensar no fomento das práticas de educação restaurativa que auxiliem no cultivo de princípios e valores é essencial para a construção de novas posturas de vidas dos jovens, pois a partir de habilidades socioemocionais e dialógicas podemos contribuir no fortalecimento comunitário e familiar, através de espaços que utilizam técnicas restaurativas com profissionais com olhar restaurativo que auxiliem no repensar do ponto de vista do indivíduo, família, sociedade e Estado.

Vale ressaltar que as habilidades socioemocionais e as práticas de educação restaurativa estão em consonância com o Relatório Delors e os pilares da educação para o século XXI, aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender-aprender e nas 10 competências gerais na Base Nacional Comum Curricular – BNCC.

No entanto, muitos são os desafios enfrentados no âmbito das instituições de ensino, mas acredito, que nós, os educadores, por meio de metodologias restaurativas, transformadoras e ações pedagógicas que auxiliem na facilitação do diálogo podemos contribuir na conscientização do convívio social e nas transformações dos conflitos no espaço escolar.

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